Assoalho pélvico e disfunção erétil

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Resposta curta: Sim, para alguns homens. No melhor ensaio randomizado, 55 homens com disfunção erétil foram divididos entre treino do assoalho pélvico com biofeedback e apenas orientação de estilo de vida. Em três meses, o grupo que treinou estava significativamente melhor (p < 0,001). Em seis meses, 40% haviam recuperado a função erétil normal, 35,5% haviam melhorado e 24,5% não haviam melhorado nada. É um efeito real e moderado: um primeiro passo razoável em casos leves a moderados, e não um substituto para descobrir por que você tem disfunção erétil.

Quase toda página sobre isso diz «sim, Kegel cura disfunção erétil» ou não diz nada. A versão útil é mais estreita: existe um bom ensaio randomizado, um punhado de estudos menores e um mecanismo plausível. Aqui está tudo, inclusive a parte em que não funciona.

O mecanismo, em um parágrafo

A ereção é um fenômeno hidráulico. O sangue entra em dois cilindros esponjosos, e a rigidez depende de ele ficar ali: as veias de drenagem precisam ser comprimidas. Dois músculos do assoalho pélvico ficam exatamente sobre esses cilindros na base do pênis: o isquiocavernoso e o bulboesponjoso. Quando contraem, a pressão dentro do tecido erétil sobe bruscamente e a saída venosa é restringida. Por isso o assoalho pélvico se associa a manter a rigidez mais do que a iniciar a ereção, e por isso quem se queixa de «perco no meio» tem mais a ganhar aqui.

O ensaio em que tudo se apoia

Grace Dorey e colegas conduziram um ensaio controlado randomizado na atenção primária britânica, publicado no British Journal of General Practice em 2004, com o seguimento no BJU International em 2005.

Desenho
Participantes55 homens com disfunção erétil, mediana de idade 59,2 (22–78)
Intervenção (n=28)Exercícios do assoalho pélvico + biofeedback manométrico + orientação de estilo de vida
Controle (n=27)Apenas orientação de estilo de vida
Avaliação3 meses e avaliação cega aos 6
40%

recuperaram a função erétil normal

35,5%

melhoraram sem chegar ao normal

24,5%

não melhoraram nada

55

homens no total: pouco, e a razão de isto ser um bom estudo e não ciência consolidada

Duas ressalvas que precisam ser ditas com clareza. É um único ensaio com 55 participantes: suficiente para ser levado a sério, insuficiente para ser definitivo. E a intervenção incluía biofeedback manométrico — um aparelho que mede a contração e mostra ao paciente — além de supervisão de um fisioterapeuta. Um app não é biofeedback: ele conta, orienta e progride você, mas não consegue dizer se o músculo que você acabou de contrair era o certo. Por isso as checagens de técnica da página de Kegel importam mais que qualquer recurso de qualquer app.

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A parte que quase ninguém diz em voz alta

A disfunção erétil costuma ser um sintoma vascular antes de ser sexual. As artérias que irrigam o pênis são mais estreitas que as coronárias, então o mesmo processo aterosclerótico aparece ali primeiro. A disfunção erétil precede um evento coronariano em cerca de três anos, em média, com faixa habitual de dois a cinco — uma janela em que a doença de base é tratável e silenciosa.

Na prática: se você tem mais de quarenta anos e a dificuldade é nova, os exercícios estão ótimos, mas medir a pressão, fazer um perfil lipídico e conversar com um médico sobre risco cardiovascular são mais importantes. Essa parte nenhum app faz.

Quando este é o tratamento errado

Fontes

Perguntas frequentes

Quanto tempo até os exercícios ajudarem na disfunção erétil?

Três meses antes de poder julgar e seis meses para o efeito completo visto nos ensaios. Os homens do ensaio de Dorey treinaram diariamente por seis meses, e as avaliações que geraram os números conhecidos foram feitas aos três e aos seis meses.

Em que porcentagem de homens funciona?

No acompanhamento de seis meses, 40% recuperaram a função normal e 35,5% melhoraram sem chegar ao normal: cerca de três quartos tiveram algum benefício. Os 24,5% restantes não melhoraram. São dados de um único ensaio com 55 homens.

É tão bom quanto o Viagra?

Não, e nenhum ensaio os comparou diretamente no longo prazo. Os inibidores de PDE5 agem mais rápido e de forma mais confiável. O treino do assoalho pélvico é mais lento, gratuito, sem efeitos colaterais e, ao contrário de um comprimido, muda a própria função muscular. Muitos homens acabam fazendo os dois.

Quais músculos importam para a ereção?

Dois: o isquiocavernoso e o bulboesponjoso. Ficam sobre os corpos eréteis na base do pênis e, ao contrair, comprimem as veias por onde o sangue escaparia. Por isso importam sobretudo para a rigidez e para manter a ereção, mais do que para consegui-la.

Pode piorar a disfunção erétil?

Pode, em homens cujo assoalho pélvico já está tenso demais em vez de fraco. O assoalho hipertônico aparece com dor pélvica ou perineal, dor após ejacular e dificuldade para iniciar a micção. Fortalecer um músculo já encurtado piora esses sintomas; esse quadro precisa de fisioterapia pélvica e trabalho de relaxamento.

Devo procurar um médico antes?

Se dura mais de três meses, começou de repente, ou veio junto com dor no peito, falta de ar, humor baixo ou fadiga: sim, primeiro. A disfunção erétil costuma preceder um evento coronariano em dois a cinco anos, o que a torna um dos alertas precoces mais úteis da medicina — e um alerta desperdiçado se for tratada apenas como um problema sexual.